Copa de 2014, um gol de placa para a produção de orgânicos

Diana V S Costa, divulgando:

Bettina Barros, de São Paulo

Arrebatar a Copa do Mundo e a Olimpíada deixou a carioca Maria Beatriz Martins Costa em êxtase. Mais que pela escolha do Brasil, porém, o que está fazendo ela sonhar em voz alta – e muita gente começa a ouvi-la – é a possibilidade de o país sediar o primeiro evento mundial desse porte de forma sustentável. Mais precisamente, de forma orgânica.

Responsável por trazer ao Brasil a maior feira do mundo de orgânicos, a Biofach América Latina, Maria Beatriz está à frente de uma campanha ambiciosa para fazer comCopa 2014 organica que o mundial de 2014 ofereça alimentos orgânicos, seja nos serviços de catering dos hotéis credenciados como nos principais restaurantes das cidades envolvidas. Além de não usarem agrotóxicos, esses alimentos são produzidos segundo as melhores práticas sociais e ambientais.

A ideia é aproveitar o momento – e a chegada de turistas estrangeiros, mais exigentes em relação à comida – para ampliar o conhecimento dessa agricultura e deslanchar a produção no país. E também baratear custos, já que, via de regra, maior oferta tende a derrubar preços na prateleira do supermercado. Hoje, há produtos orgânicos que custam até 200% a mais que o convencional, caso das hortaliças.

“Não estamos mais sonhando um sonho de verão. Antes isso era apenas uma ideia, mas agora tem gente de peso interessada em promover uma Copa sustentável”, diz Maria Beatriz. “Ou a gente aproveita essa janela de oportunidade ou esquece”.

Maria Beatriz se diz animada porque, pela primeira vez, conseguirá reunir à mesma mesa representantes importantes para traçar uma política de fomento à produção orgânica: Ministério do Desenvolvimento Agrário, Sebrae, Ministério do Turismo e Prefeitura do Rio. Em conversas informais, todos mostraram interesse em promover esse diferencial nos eventos que ocorrerão nos próximos anos. O assunto será debatido ainda no próximo dia 30, durante a realização da edição deste ano da Biofach América Latina, em São Paulo.

Os desafios, como se sabe, são enormes. O primeiro é saber o tamanho exato desse mercado. Segundo estimativas do governo, o segmento movimenta R$ 500 milhões por ano e envolve 15 mil produtores no Brasil, com uma área de cultivo da ordem de 800 mil hectares – excluindo o extrativismo, que eleva a estimat iva para 5 milhões de hectares.

Mas para abastecer uma Copa é preciso saber com precisão o que é plantado, em que volume e onde. “É preciso capacitar o mercado, dar assistência técnica aos produtores, pensar a logística de escoamento de produtos. Mas é possível fazer em quatro anos”, acredita Maria Beatriz. Para tanto, o Sebrae estuda criar um Centro de Inteligência Comercial de orgânicos, como já faz em outras atividades, para mapear o setor.

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