O uso racional da água – Parte I

“O sertão vai virar mar… e o mar vai virar sertão”

O uso racional da água – Parte I

Imagine sua vida sem energia elétrica. Sem televisão, aparelho celular, computadores… sem conservação de alimentos pelo frio (geladeira/ freezer), sem bombeamento de água para as residências, sem controle dos semáforos no meio urbano, sem banho quente…. Parece difícil né!?? Bom, talvez porque seja difícil, uma vez que nos habituamos com isto. Quando há uma queda de energia já sofremos com algumas horas sem eletricidade, imagine passar a viver sem ela!! É… parece difícil, sofreríamos para nos habituar, porém não é impossível.

Agora imagine sua vida sem água. Sem água para lavar a louça, lavar a roupa, lavar os alimentos ou mesmo cozinhar… sem água para promover a higienização de instalações, o saneamento básico e a higiene pessoal… sem água para BEBER! Parece difícil né!?? Isto porque é IMPOSSÍVEL!!!

Sem água potável no mundo haveria a disseminação de doenças, guerras e morte.. muita morte.. estas se dariam pelo consumo de água contaminada, pelos conflitos gerados pela falta de água, pela falta de higiene ocasionando a disseminação de doenças, dentre outros fatores.

Mas se a água é tão importante para a preservação de nossas vidas, porque não a usamos de maneira mais racional, evitando os desperdícios e a contaminação de rios e lagos??

Segundo Michael McCarthy, editor de Meio Ambiente do jornal inglês The Independent, a maioria das pessoas quando pensa em água, visualiza o globo terrestre composto de dois terços de água, mas a maioria não sabe que apenas 2,5% dessa água não contém sal e dessa quantidade de água, dois terços encontram-se nas geleiras e glaciais. Ou seja, apesar de visualizarmos a imensidão azul ao olharmos um mapa do mundo, o planeta Terra já NÃO possui água potável suficiente para manutenção de vida.. e a falta é cada vez maior devido ao uso irracional dos recursos hídricos.

“O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”, não por vontade divina, como disse o profeta Antônio Conselheiro, mas por interferência do ser humano. Todos os dias, rios, riachos, lençóis e aqüíferos são contaminados. Todos os dias a estiagem atinge regiões onde antes não acontecia, chegando a durar o dobro de tempo do que em décadas passadas; em qualquer parte do planeta, nascentes são adquiridas por empresas transnacionais e utilizadas de maneira irracional, impossibilitando estas águas para o consumo humano e animal.

Em 2003, um relatório das Nações Unidas previu que, na pior das hipóteses, na metade deste século, sete bilhões de pessoas em 60 países enfrentariam escassez de água. Se todas as medidas políticas forem cumpridas, esse número cairia para 2 bilhões em 48 países. Mas é preciso lembrar que em 2003, período em que o relatório foi lançado, o maior colaborador do fenômeno desertificação não havia sido devidamente reconhecido: as mudanças climáticas provocadas pela ação de gases emitidos pelas atividades humanas no planeta. Para McCarthy, é provável que as mudanças climáticas aumentem em 50% as condições para escassez de água.

Ainda que somos “bombardeados” com dados como estes todos os dias, por diversas fontes de informação, muitos ainda não dão o devido valor a conservação dos recursos hídricos de nosso planeta.

Aquela torneira mal fechada, gotejando o dia inteiro, não parece grandes coisas. Afinal de contas, é só uma gota! Que mal pode causar?

Pois é, aquela velha história de que “de grão em grão, a galinha enche o papo”, também é aplicada para o desperdício de água.

O gotejamento de uma torneira chega a desperdiçar 46 litros por dia. Isto é, 1.380 litros por mês.

Num mundo no qual a seca em diversos países está nas manchetes dos jornais, assim como o número de pessoas e animais mortos pela falta de água potável ou pela falta de higiene, gerada pela falta de recursos hídricos para promovê-la, 1.380 litros de água por mês, ou mesmo os 46 litros de água por dia, fazem falta COM CERTEZA.

Situação mundial

Israel, Jordânia e Palestina: 5% da população do mundo sobrevivem com 1% da sua água disponível no Oriente Médio, nesse contexto ainda há a guerra entre árabes e israelenses. Isso poderia contribuir para crises militares adicionais enquanto o aquecimento global continua. Israel, os territórios palestinos e a Jordânia necessitam do rio Jordão, mas Israel controla-o e corta suas fontes durante as épocas de escassez. O consumo palestino é então restringido severamente por Israel.

Turquia e Síria: Os projetos da Turquia para construção de represas no rio Eufrates levaram o país à beira de um conflito com a Síria em 1998. Damasco acusa Ancara de usar deliberadamente sua fonte de água enquanto o rio desce pelo país que acusa a Síria de proteger líderes separatistas curdos. A falta de água ocasionada pelo aquecimento global aumentará a pressão nesta volátil região.

China e Índia: O rio Brahmaputra já causou tensão entre Índia e China e pode se tornar uma faísca para dois dos maiores exércitos do mundo. Em 2000, a Índia acusou a China de não compartilhar informações sobre o funcionamento do rio desde o Tibet que causou inundações no nordeste da Índia e em Bangladesh. As propostas chinesas para desviar o rio também concernem a Deli.

Angola e Namíbia: As tensões aumentaram entre Botswana, Namíbia e Angola em torno da vasta bacia de Okavango. As secas fizeram a Namíbia reativar projetos para um encanamento da água de 250-milhas para fornecimento à capital. Drenar o delta seria letal para comunidades locais e para o turismo. Sem a inundação anual do norte, os ’swamps’ encolherão e a água sangrará até o deserto de Kalahari.

Etiópia e Egito: O crescimento populacional no Egito, no Sudão e na Etiópia está ameaçando um conflito ao longo do rio mais comprido do mundo, o Nilo. A Etiópia está pressionando por uma parte maior da água azul do Nilo, mas isso prejudicaria o Egito. E o Egito está preocupado com a parte branca do Nilo que corre através de Uganda e Sudão, e que poderia ser esgotado também antes que alcance o deserto de Sinai.

Bangladesh e Índia: As inundações no Ganges causadas pelo derretimento das geleiras do Himalaia chegam a Bangladesh o que leva a uma ascensão na migração ilegal à Índia. Isto fez com que a Índia construísse uma imensa cerca na beira do rio na tentativa de obstruir os imigrantes. Cerca de 6 mil pessoas cruzam ilegalmente pela beira do rio em direção à Índia a cada dia.

Planeta Água

97.5% das águas do planeta são salobras, inadequadas para uso humano. A maioria da água fresca está presa nas geleiras e glaciais. A necessidade básica recomendada de água por pessoa num dia é de 50 litros. Mas as pessoas podem utilizar algo perto de aproximadamente 30 litros: 5 litros para alimento e bebida e uns outros 25 para a higiene.

Alguns países usam menos de 10 litros de água por pessoa ao dia. Gâmbia usa 4.5; Mali, 8; Somália, 8.9; e Moçambique, 9.3. Em contraste, o cidadão médio dos Estados Unidos usa 500 litros de água por dia, e a média britânica é de 200 litros. No oeste, são utilizados cerca de 8 litros para escovar os dentes, 10 a 35 litros para nivelar a descarga, e 100 a 200 litros para tomar banho.

Saiba mais sobre as maneiras de que você pode contribuir para a preservação dos recursos hídricos do planeta. O que fazer? Que atitudes tomar?

Leia a continuação deste material, contendo dicas de como evitar o desperdício de água, em:

“O Uso Racional da água, parte II” – https://saudeecologica.wordpress.com/2009/10/15/uso-racional-da-agua-%E2%80%93-parte-ii/

“O Uso Racional da Água, parte III” – https://saudeecologica.wordpress.com/2009/10/15/uso-racional-da-agua-%E2%80%93-parte-iii/

Diana V S Costa

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