“Êxodo climático”

Mudança climática e a migração de pessoas

Se o êxodo rural foi um problema para o Brasil durante muitos anos, trazendo pessoas humildes do campo para a cidade em busca de melhores condições de vida, o aquecimento global, fará um êxodo de maior amplitude.

Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo, hoje, 09 de dezembro de 2009, “Mudança climática causará até 1 bilhão de migrações”. Em termos de Brasil, esta migração pode vir tanto do campo para a cidade, do interior para a capital, quanto da capital de volta ao campo.

Ontem, em São Paulo, maior cidade procurada por cidadãos do campo em busca de uma vida melhor, muitas pessoas (pobres) tiveram suas casas levadas pela força da chuva. Chuva esta que, segundo dados do jornal Bom Dia Brasil, já matou 21 pessoas só neste segundo semestre de 2009. Número idêntico ao verão de 2008/09, sendo que a estação, caracterizada por tempestades, nem mesmo começou.

No mesmo jornal, exibido em 09/12, mostrou pessoas que perderam não só suas casas, como também suas famílias, e estas pessoas foram até São Paulo em busca de um sonho que não se realizou e, muitas vezes, até mesmo piorou as condições de vida destas pessoas, com relação as condições que as mesmas tinham em sua terra natal. A opção de muitos deles agora, é abandonar o “sonho de São Paulo” e voltar para suas casas, no interior do país.

Leia abaixo a notícia publicada pela Folha de S. Paulo, Mudança climática causará até 1 bilhão de migrações”
LAURA MACINNIS
da Reuters, em Genebra

A mudança climática deve levar até 1 bilhão de pessoas a deixarem suas casas nas próximas quatro décadas, disse um estudo divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização Internacional para a Migração (OIM).

O relatório, lançado no segundo dia da conferência climática da ONU em Copenhague, estima que 20 milhões de pessoas já ficaram desabrigadas no ano passado por causa de desastres naturais, que devem se agravar devido à mudança climática.

O texto alerta que poucos “refugiados climáticos” têm condições de deixar seus países para tentar a vida em lugares mais ricos. O que ocorre, na verdade, é que eles se deslocam para cidades já superpopuladas, aumentando a pressão sobre países pobres.

“Além da luta imediata diante do desastre, a migração pode não ser uma opção para os grupos mais pobres e vulneráveis”, disse o texto.

Ilhas

“Em geral, os países esperam gerir internamente a migração ambiental, à exceção de pequenos Estados insulares, nos quais em alguns casos [o aquecimento] já levou ao desaparecimento de algumas ilhas sob a água, forçando a migração internacional.”

As estimativas sobre a migração decorrente de fenômenos climáticos variam de “25 milhões a 1 bilhão de pessoas […] nos próximos 40 anos”. O texto, no entanto, informa que a cifra mais baixa parece já estar ultrapassada.

O número de desastres naturais mais do que dobrou nos últimos 20 anos, e a OIM disse que a desertificação, a poluição da água e outros problemas tendem a tornar áreas cada vez maiores do planeta inabitáveis conforme o efeito estufa se alastrar.

“Uma maior mudança climática, com temperaturas globais previsivelmente subindo entre 2ºC e 5ºC até o final deste século, pode ter um grande impacto sobre o movimento das pessoas”, disse o relatório, patrocinado pela Fundação Rockefeller.

O estudo aponta Afeganistão, Bangladesh, a maior parte da América Central e partes da África Ocidental e do Sudeste Asiático como as áreas mais propensas às grandes migrações por fatores climáticos.

Nesta semana, o alto comissário da ONU para refugiados, Antonio Guterres, alertou que metade dos refugiados do mundo já vive em cidades onde há aumento de tensões xenófobas, como Cabul, Bogotá, Abidjan e Damasco.

Diana Vieira de Senne e Costa

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