Sem consenso em Copenhague, ambientalistas e líderes já falam na COP-16, no México


MAURÍCIO KANNO
colaboração para a Folha Online

No início da 15ª Conferência sobre Mudança Climática (COP-15), em Copenhague, na Dinamarca, circulava uma piada sobre um possível apelido para ela. Seria “Hopenhague”, lembrando o termo em inglês “hope” (esperança), ou “Flopenhague”, lembrando “flop” (fiasco)?

Nesta sexta-feira (18), após duas semanas de discussões, o mundo ficou sem esperanças em um acordo legal e vinculativo. ONGs consultadas pela Folha Online já olham adiante: resta à conferência de Copenhague facilitar um acordo real para a conferência seguinte, no México, em 2010, que será a COP-16.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, adiantou-se em divulgar que a chanceler alemã, Angela Merkel, organizará negociações em Bonn, no prazo de “seis meses”, para preparar a próxima conferência sobre o clima, no México, no final de 2010.

Segundo Aron Belink, coordenador-executivo no Brasil da coalizão de ONGs TicTacTicTac, criada justamente para pressionar por acordo em Copenhague, há um diferencial entre a COP-15 e a ECO-92, que aconteceu antes da primeira COP, em 1995, em Berlim: “Antes a problemática era muito menos tangível, havia menos dados, as pessoas estavam menos comprometidas e engajadas.”

Para Belink, “ao menos algum alinhamento entre os líderes reunidos agora pode facilitar para destravar um acordo em 2010”, em uma reunião que pode até ser adiantada para antes de dezembro.

“Apesar de ter ficado decidido há dois anos, em Bali [Indonésia, COP-13], que seria buscado um acordo em Copenhague agora, durante esse tempo os países em geral não deram a devida importância para o assunto”, comenta Belink.

Conforme relataram os enviados especiais da Folha Claudio Angelo e Luciana Coelho, a última reunião de hoje na qual Brasil, China, Estados Unidos, África do Sul e Índia discutiram as metas climáticas –ou a falta delas– terminou sem consenso.

COPs anteriores

A primeira Conferência das Partes da ONU sobre o clima (COP-1) foi realizada em 1995, em Berlim. Nela foram definidos compromissos legais de redução de emissões, que fariam parte do Protocolo de Kyoto.

O tratado foi assinado em 1997 em Kyoto, no Japão. O acordo entrou em vigor em 2005, pelo qual 37 nações industrializadas se comprometem a reduzir suas emissões de seis gases-estufa em 5,5% em relação aos níveis de 1990 até 2012.

O objetivo da conferência de Copenhague era justamente conseguir um acordo climático para valer depois que o Protocolo de Kyoto expirasse, além de melhorá-lo. Agora o prazo fica ainda mais apertado.

Na América Latina, além do México, em que está programada a COP de 2010, aconteceram conferências climáticas duas vezes em Buenos Aires, na Argentina: foi a COP-4, em 1998; e a COP-10, em 2004.

No Brasil, aconteceu a ECO-92, que firmou o caminho para as futuras conferências climáticas e importantes documentos ambientais internacionais. Inclusive para assuntos não necessariamente climáticos, como a Agenda 21.

“Desde a ECO-92, no Rio de Janeiro, não se via tantos líderes mundiais presentes em uma reunião climática como agora”, avalia Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace.

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